Em retrospectiva, tais revoltas também foram importantes em um âmbito maior num futuro não tão distante. Apesar de constituírem movimentos exclusivamente locais, que não visavam em um primeiro momento a separação política de Portugal, o seu protesto contra algum abuso do pacto colonial contribuiu para a construção do sentimento de nacionalidade em meio a tais comunidades.
As principais revoltas ocorrem entre meados do século XVII e começo do século XVIII, quando Portugal perdeu sua influência na Ásia, e passou a cobrir os gastos da Coroa na metrópole com a receita obtida do Brasil.
PRINCIPAIS CAUSAS
A sempre crescente cobrança de impostos, a criação frequente de novos tributos e o abuso dos comerciantes portugueses na fixação de preços gerados pelo pacto colonial começam a gerar insatisfação entre membros da elite agrária da colônia.
PRINCIPAIS LEVANTES
Os principais movimentos que contestaram o pacto colonial foram:
- Revolta Beckman (1684 - Maranhão)
Na Revolta de Beckman ou Bequimão, movimento nativista ocorrido no Maranhão, em 1684, mais uma vez evidenciou-se a divergência de interesses entre colonos locais, representados pelos irmãos Manuel e Tomás Beckman e a Companhia Geral de Comércio do Estado do Maranhão, que possuía o monopólio do comércio e de introdução de escravos africanos. A rebelião ocorreu contra os abusos da Companhia de Comércio, que não cumpriu os acordos feitos com os colonos, e contra a Companhia de Jesus, que se opunha à escravidão indígena.
- Guerra dos Emboabas (1708)
Outro movimento nativista foi a Guerra dos Emboabas, ocorrida em Minas Gerais (1708-09), resultante da rivalidade entre os paulistas e os “emboabas” – forasteiros, principalmente portugueses, que acabavam sendo protegidos pelos órgãos do governo colonial, com o monopólio de diversos ramos comerciais. O movimento eclodiu devido a uma série de incidentes, nos quais sempre havia de um lado os paulistas e do outro os emboabas.
- Guerra dos Mascates (1710)
Um dos mais famosos movimentos nativistas foi a Guerra dos Mascates (1710-12), em Pernambuco, motivada pela forte rivalidade entre os senhores-de-engenho de Olinda e os comerciantes portugueses de Recife, apelidados de mascates, e que contavam com o apoio do governador Sebastião de Castro Caldas. O conflito irrompeu quando Recife foi elevado à categoria de vila, o que favorecia o grupo português. Ao terminar o movimento, em 1712, Recife passava a ser cidade e capital de Pernambuco, o que acentuou ainda mais a rivalidade da aristocracia pernambucana contra os portugueses.
Neste movimento, como nos demais, deve ser percebido o seu sentido não-emancipacionista e a inexistência de interesses que visassem ultrapassar os limites locais ou regionais.
- Revolta de Felipe dos Santos - Revolta de Vila Rica (1720)
Em 1720, novamente na região de Minas Gerais, em Vila Rica, ocorreu a revolta de Felipe dos Santos, um dos movimentos nativistas em que mais uma vez encontramos a rebelião contra os abusos do fiscalismo português, caracterizados pela elevação dos impostos decretada pelo governador, conde de Assumar. Os mineradores revoltados reivindicavam a redução dos impostos, abolição dos monopólios exercidos pelos portugueses e a extinção das Casas de Fundição.
FONTES
Aulas de História
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